quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Há 45 anos morria em voo Yuri Gagarin, primeiro homem a chegar ao espaço

Yuri Gagarin impôs derrota aos Estados Unidos na corrida espacial

Quarenta e cinco anos atrás, no dia 27 de março de 1968, o soviético Yuri Alekseievitch Gagarin, o homem que conquistou o espaço, abandonou de vez a Terra em um acidente aéreo, aos 34 anos de idade. “A Terra é azul”, frase que lhe foi creditada em 1961, marcou a soberania da União Soviética na corrida espacial e abriu caminho para novas conquistas, como a Lua. O cosmonauta, entretanto, faleceu um ano antes de testemunhar essa façanha.

Yuri Gagarin: de criança humilde a herói mundial

O feito de Gagarin, primeiro homem a orbitar a Terra, não foi transmitido ao vivo, como a posterior viagem à Lua, mas repercutiu em todo o planeta. “Nunca antes na história um ser humano via o seu mundo deste ponto de vista exterior. Um novo ambiente passou a ser explorado naquele dia. A volta que Yuri Gagarin deu ao mundo foi um passo vital para a conquista espacial”, ressalta Naelton Mendes de Araújo, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro.

O assombro provocado pela ida do homem ao espaço se explica em razão das barreiras psicológicas e tecnológicas da época. Rui Barbosa, historiador espacial amador e diretor do Boletim Em Órbita, destaca que havia uma aura de incertezas a respeito do ser humano no espaço, embora já se houvesse lançado satélites e animais. “Yuri Gagarin provou que o homem poderia, de fato, viver em órbita terrestre, ultrapassando assim alguns dos mitos que haviam se estabelecido em parte da comunidade científica, que apontavam a impossibilidade de o homem viver fora do seu planeta natal”, esclarece.

O pequeno Gagarin

Essa quebra de paradigma, considerada “um dos eventos de maior importância na história da humanidade” por Antônio Bertachini de Almeida Prado, cientista do Instituto de Pesquisas Espaciais, foi perpetrada pelo pequeno Gagarin aos 27 anos, no dia 12 de abril de 1961. Nesse dia, a bordo da Vostok-1, lançada do Cosmódromo de Baikonur, o cosmonauta permaneceu em órbita durante uma hora e 48 minutos, a 315 km de altitude e a uma velocidade aproximada de 28 000 km/h.

Curiosamente, não foi apenas a excelente performance nos treinos do programa espacial soviético que o levou até lá. Além da origem camponesa, que lhe conferia vantagens no sistema comunista, sua constituição diminuta possibilitou que ele coubesse na nave, a qual media 4,4 metros de comprimento e 2,4 metros de diâmetro. Com 1,57 metro de altura e 69 quilos, Gagarin pôde se comprimir no espaço exíguo destinado ao piloto.

A Terra é azul

Também lançada ao campo das curiosidades foi a frase “A Terra é azul”, eternizada como se fosse a reação espontânea à magnitude do novo prisma obtido pelo cosmonauta. Na verdade, ao vislumbrar nosso planeta pela primeira vez, Gagarin declarou: “Através da janela, eu vejo a Terra. O chão é claramente identificável. Eu vejo rios e as dobras do terreno. Tudo é tão claro…”. Acredita-se que a frase célebre tenha sido proferida já no solo, após o desembarque.

Corrida espacial

Enquanto o cosmonauta deixava a aeronave, os Estados Unidos assistiam perplexos a mais uma derrota para a União Soviética (URSS), muito à frente na corrida espacial. A URSS já tinha mostrado seus avanços tecnológicos com o lançamento do Sputnik em 1957, além da cadela Laika e outras missões não tripuladas antes de Gagarin. Para Araújo, o voo transformou-se em marca ameaçadora para qualquer pretensão americana de uma futura hegemonia no espaço. “O próximo recorde a ser batido tinha que ser a Lua. Era a única maneira de passar na frente dos soviéticos”, aponta.

Segundo Bertachini, o esforço americano para chegar à Lua antes da União Soviética teve grande impulso devido a essa derrota na conquista espacial. “Isso despertou um grande desejo de superação dentro dos EUA e levou ao primeiro voo de um astronauta americano, logo depois, e culminou com a conquista da Lua em 1969”. Para Barbosa, a missão de Gagarin foi o ponto fulcral no desenvolvimento de tecnologias, materiais e equipamentos que ainda não haviam sido inventados, e que assim proporcionaram um avanço tecnológico que permitiu a chegada da Apollo 11 à Lua.

Aviação

Muito antes de chegar ao espaço, Gagarin já era apaixonado pela ideia de voar. Nasceu em Kluchino, a oeste de Moscou, em 9 de março de 1934. Após os estudos fundamentais, ingressou na escola de comércio, mas não ficou satisfeito com a escolha. Migrou então para a escola técnica, com duração de quatro anos, em Saratov. Em 1955, no ano de sua graduação, foi convidado a participar de um clube de aviação, no qual realizaria seu primeiro voo solo.

Depois de concluir sua formação técnica, Gagarin entrou para a Força Aérea Soviética e para a Escola de Aviação Orenburg. Lá conheceu Valentina Ivanovna Goryacheva, com quem se casou em 1957, após se formar com honras e se tornar tenente da Força Aérea Soviética. Em 1960, depois de uma bateria de exames e testes físicos e psicológicos, foi selecionado para o programa espacial soviético, que o levou mais longe do qualquer outro homem até então.

O retorno

Após conquistar o espaço e voltar à Terra em 1961, Gagarin foi recebido como herói. Aquele pequeno homem havia se tornado um gigante aos olhos dos russos. Alçado ao status de celebridade, passou cinco anos viajando ao redor do mundo, com o intuito de divulgar o programa espacial soviético.

Mas o cosmonauta jamais teve permissão para voltar à órbita terrestre. Em 1967, foi desligado do programa espacial e transferido para um centro de testes de aeronaves, onde viria a falecer, em 27 de março do ano seguinte, enquanto pilotava um jato durante treinamento de rotina.

O legado

Na época, o acidente não foi devidamente explicado. Em abril de 2011, no aniversário de 50 anos do histórico voo de Yuri Gagarin, o Kremlin liberou documentos, antes mantidos em segredo, sobre a misteriosa morte do pioneiro espacial soviético. O acidente foi causado por uma manobra brusca de Gagarin para desviar de uma sonda meteorológica. Aos 34 anos, Yuri Gagarin deixou esposa, duas filhas e uma Terra azul.

Fonte: Terra

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